Carne vermelha associada com mortalidade!
4 Abril 2009
Mais uma novidade tanto para os “naturebas” quanto para os céticos. Um grande estudo publicado numa das mais lidas revistas médicas do planeta concluiu pela reafirmação de que o consumo de grande quantidade de carne vermelha e carne processada (presunto, mortadela, patês, etc) correlaciona-se com aumento de mortalidade por câncer e doenças do coração em pessoas de ambos os sexos. Para os adeptos do “não deixo meu sanduba de mortadela” a notícia não é de todo ruim: a recomendação é de que o consumo destes produtos seja moderado. Uma dieta de todo vegetariana não está em questão neste estudo, mas as pessoas que consumiram quantidades moderadas de carne vermelha e processada não pareceram ter um risco especialmente elevado. É óbvio que ninguém definiu o que é “moderado”, mas algumas recomendações são especificadas pelo American Institute for Cancer Research. O coordenador do estudo frisa que não é vegetariano!!
March 26, 2009 — Eating red and processed meat is associated with modest increases in total mortality, cancer mortality, and cardiovascular disease mortality rates, according to the results of a large, prospective study reported in the March 23 issue of the Archives of Internal Medicine.
“High intakes of red or processed meat may increase the risk of mortality,” write Rashmi Sinha, PhD, from the National Cancer Institute, National Institutes of Health, Department of Health and Human Services in Rockville, Maryland, and colleagues. “Our objective was to determine the relations of red, white, and processed meat intakes to risk for total and cause-specific mortality.”
O estudo NIH–AARP Diet and Health Study acompanhou aproximadamente meio milhão de pessoas de 50 a 71 anos no início. Um questionário de frequência alimentar permitiu estimar o consumo de carne, e modelos de regressão de Cox permitiram calcular razões de risco (HRs) e intervalos de confiança (CIs) dentro de quintis de consumo de carne.
Carne vermelha incluiu todos os tipos de carne bovina e suína, como bacon, carne bovina, frios, hambúrgueres, cachorros-quentes, bife e carnes em pizza, lasanha e ensopado. Carne branca incluiu frango, peru e peixe, além de frios de aves, atum enlatado e cachorros-quentes de baixo teor de gordura. Carnes processadas podiam incluir carnes vermelhas ou brancas em forma de frios, bacon, salsichas e patês. Os autores observam que algumas carnes podem se sobrepor nas 3 categorias, mas não foram duplicadas ou usadas nos mesmos modelos na análise do estudo.
Os modelos consideraram covariáveis de idade, escolaridade, estado civil, presença ou ausência de histórico familiar de câncer (para mortalidade por câncer apenas), raça, IMC, histórico de tabagismo, atividade física, ingestão calórica, consumo de álcool, uso de suplementos vitamínicos, consumo de frutas, consumo de vegetais e uso de terapia hormonal em mulheres. Os desfechos primários do estudo foram mortalidade total e mortes por câncer, doenças cardiovasculares, lesões e mortes súbitas, e todas as outras causas.
Durante 10 anos de acompanhamento, 47.976 homens e 23.276 mulheres morreram. Os riscos de mortalidade foram aumentados para homens e mulheres no quintil mais alto vs o mais baixo de consumo de carne vermelha (HR, 1,31; IC 95%, 1,27-1,35; e HR, 1,36; IC 95%, 1,30-1,43, respectivamente) e consumo de carne processada (HR, 1,16; IC 95%, 1,12-1,20; e HR, 1,25; IC 95%, 1,20-1,31, respectivamente). Homens e mulheres com maior consumo também tiveram riscos aumentados para mortalidade por câncer para carne vermelha (HR, 1,22; IC 95%, 1,16-1,29; e HR, 1,20; IC 95%, 1,11-1,30, respectivamente) e para carne processada (HR, 1,12; IC 95%, 1,05-1,19; e HR, 1,16; IC 95%, 1,06-1,27, respectivamente).
Leia a publicação na íntegra aqui.
Postagem original no Pharmakon aqui.